theoria

theôría: teorização, especulação, contemplação, a vida contemplativa

Segundo alguns, a vida contemplativa como um ideal é uma tradição que remonta a Pitágoras (ver Cícero, Tusc. V, 3, 8-9 e D. L. VIII, 8), mas a autoridade no assunto é um acadêmico posterior e assim o ideal pode não ir além do tempo de Platão que faz um esboço digressivo de tal vida no Teeteto [[Teet:173c|173c-175d]], e identifica o tipo superior da atividade humana com a contemplação do Bem (República [[Rep:540a|540a-c]]) e do Belo (Banquete [[Banq:210b|210b-212a]]). O terna aparece cedo em Aristóteles (Protréptico, frg. 6), e atinge o seu mais pleno desenvolvimento na discussão que ele faz da vida contemplativa na Ethica Nichomacos X, 1177a-1179a. É a principal atividade do Primeiro Motor em Aristóteles (Metafísica 1072b; ver noûs 10), e da alma em Plotino (Enéadas VI, 9, 8), mas de um modo muito mais lato do que Aristóteles jamais visionou (ver Enéadas III, 8, 2-7). Para Plotino a atividade (praxis) é uma forma degradada de contemplação (ver physis), mas a tradição neoplatônica posterior, provavelmente começando com Jamblico (ver De myst. II, 11), tendia a situar a theourgia (ver mantike 4-5) acima da theoria. [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters]


theoría (he) / theoria: contemplação. Latim: contemplado.

Ato da mais elevada das faculdades do espírito para conhecer o inteligível.

A raiz the- indica um conhecimento voluntário e constante. É encontrada nos verbos theomai, contemplar, e theoro, com o mesmo sentido; nos adjetivos theoretikos, intelectual, e theoretos, contemplável; nos substantivos theatron, espetáculo, teatro, e theorema, espetáculo, objeto de estudo.

Theoría só adquire sentido filosófico com Platão, que quase não utiliza o termo: algumas vezes, principalmente na República ([[Rep:486a|VI,486a]];[[Rep:517d|VII, 517d]]), em competição com noesis, que tem o mesmo sentido. Ganha grande importância com Aristóteles, que faz da theoría a contemplação dos Princípios primeiros, pela parte epistêmica da alma (Et. Mc, X,VII, 1). v. eudaimonia. É também pela theoría que o homem de Estado obtém a ciência política (Pol., IV, I, 3-4). Encontramos também o termo em Metafísica, onde se lembra que a ciência dos primeiros princípios e das primeiras causas é teorética (A, 2, 982b; A, 1, 1069a). Plotino escreveu um tratado Da natureza e da contemplação do Uno (III,VIII), onde mostra que todas as ações tendem à contemplação. [Gobry]


Segundo Brisson & Pradeau, a theoria em sua acepção ordinária assim como filosófica, é a princípio uma atividade humana. E é o que afirma Platão, que faz da contemplação o olhar mais estimável que seja, aquela que a alma leva em direção à realidade mais elevada (em direção ao belo ele mesmo), mas igualmente Aristóteles, que designa por sua vez a theoria como a atividade do pensamento mais elevada que seja, aquela que aparenta o homem ao deus. A contemplação, nos textos platônicos ou aristotélicos, é a atividade de conhecimento mais eminente porque é aquela em favor da qual a alma humana tem acesso à realidade ela mesma.