Brisson & Pradeau

Luc Brisson e Jean-François Pradeau são dois dos grandes filósofos contemporâneos, especialistas em tradição clássica grega, que uniram esforços na direção de uma nova tradução francesa das Enéadas, publicada na ordem cronológica dos tratados, em uma série de livros pela GF-Flammarion, com o título Plotin Traités.

Gêneros do Ser

Segundo Brisson & Pradeau (2002 p. 130), Plotino no Tratado-2 dialoga com os estoicos em sua distinção de quatro "gêneros primeiros" de ser. Os estoicos distinguiam quatro "gêneros primeiros" do ser, no sentido que só os corpos são seres.

Matéria sem qualidade

Segundo Brisson & Pradeau (2002 p. 128), a tese segundo a qual a matéria é sem qualidade é frequentemente repetida nos tratados; ver principalmente as menções que disto faz o Tratado-12. Os estoicos diziam da matéria que ela é "sem qualidade": ela é um princípio passivo e indeterminado, que recebe o conjunto de suas determinações (corporais) do princípio ativo e racional que lhe é imanente. Na apresentação que dá da física estoica, Cicero o sublinha (Acadêmicos I,27).

Corpo e Átomo

Segundo Brisson & Pradeau (2002, pg. 128), de maneira muito alusiva, é a definição da alma por Epicuro combatida por Plotino. Epicuro diz que a alma "é um corpo composto de finas partes"; tão finas que, repartidas no conjunto do agregado que é o resto do corpo, elas estão em simpatia com ele (Carta a Heródoto, Diógene Laércio X, 63-68). Uma doutrina similar foi atribuída a Demócrito, do qual Epicuro é dado por herdeiro.

Corpo Informado

Segundo Brisson & Pradeau (2002, p.128), o corpo para Plotino é o resultado de uma informação parcial da matéria. É uma razão (logos) originária da alma que é a causa da existência do corpo. Ver, em primeiro lugar, a definição que dele dá o Tratado-12.

Si Mesmo

Brisson & Pradeau (2002 p.127) traduz em geral autos por si mesmo, conforme é empregado por Plotino de maneira substantivada, como o tinha feito Platão no Alcibíades quando ele se perguntava o que é justamente o "si-mesmo" quando se buscava obedecer a injunção a se "conhecer a si mesmo". O si mesmo no homem, é a alma. Plotino enumera aqui duas possíveis definições da relação da alma e do corpo.

Composição do Corpo

Segundo Brisson & Pradeau (2002 p.127), a composição dos corpos pode ser considerada de dois pontos de vista: ou bem o corpo se divide em várias partes, ou bem ele se decompõe em forma e em matéria. Sobre este ponto, Plotino segue Alexandre de Afrodisia.

Corpo Instrumento

Para Brisson & Pradeau, há uma definição platônica do corpo como instrumento (organon) da alma. Esta definição remonta a Demócrito. Ela é retomada por Platão no Primeiro Alcibíades, mas também adotada por Aristóteles (Ética a Nicômaco VIII, 13), o que lhe confere uma autoridade suficientemente estendida para que Plotino não impute nomeada e exclusivamente a Platão.

Intelecto e Impassibilidade

Segundo Brisson & Pradeau (2002 p. 139), a impassibilidade e a tendência são noções de origem estoica, que Plotino retoma para adaptá-las a seu argumento. No caso do Tratado-8, a fim de definir a parte de toda alma que, "intelecto puro", não deixa o inteligível mas permanece junto do Intelecto, seu princípio. O intelecto da alma é portanto impassível, e nada não lhe faz falta que exigiria de sua parte um desejo ou uma tendência que o levaria a buscar fora dele mesmo algo que lhe faltasse.

Alma-Corpo

Segundo Brisson & Pradeau (2002 p.137), Aristóteles constata em De Anima I,1, 403a15, que a alma é inseparável do corpo. Adiciona, e é o argumento que Plotino fará valer como objeção, que a alma não pode ser "separada" do corpo senão na condição que se lhe reconheça operações ou afecções próprias. Plotino vais justamente demonstrar que todas as operações da alma lhe são específicas.

Enteléquia

Para Brisson & Pradeau (2002 p.137), Aristóteles emprega o termo entelecheia (que se poder traduzir por "realização") para designar o ato perfeito e completo, que alcançou sua meta (seu telos). Este ato pode ter duas significações: "a enteléquia se toma em um duplo sentido; ela é por vezes a ciência, por vezes como o exercício da ciência" (De Anima, II, 1, 412a22-24, em seguida II, 5, 417b9-17). Trata-se de uma enteléquia segunda quando a ciência é possuída e exercida, e de uma enteléquia primeira quando a ciência não senão possuída.