Cornford

Francis Macdonald Cornford (27 de febrero de 1874 - 3 de enero de 1943) fue un filólogo clásico y poeta inglés. Fue miembro del Trinity College desde 1899, donde ocupó una cátedra desde 1902. En 1931 se le nombró Laurence Professor of Ancient Philosophy y seis años más tarde, en 1937, fue elegido miembro de la Academia Británica. [Wikipedia]

Detienne: poietike

O duplo registro da palavra cantada pode ser esclarecido, se for colocado em relação com um traço fundamental da organização da sociedade micênica. Ao que parece, com efeito, o sistema palaciano era dominado por um personagem real, encarregado das funções religiosas, econômicas e políticas, mas junto ao rei todo-poderoso havia um "chefe do Laos" que comandava os homens especializados no ofício das armas. Neste estado centralizado, o grupo dos guerreiros formava uma casta privilegiada com um estatuto particular.

A visão divinatória e a memória

A visão divinatória do poeta inspirado coloca-se sob o signo da deusa Mnemosyne, Memória, mãe das Musas. Memória não confere o poder de invocar recordações individuais, de representar-se a ordem dos acontecimentos dissipados no passado. Daí ao poeta — assim como ao adivinho — o privilégio de ver a realidade imutável e permanente, põe-no em contato com o seu original, do qual o tempo, na sua marcha, só descobre uma ínfima parte aos humanos, e para a ocultar logo após.

A aurora dos "filosofos da natureza"

Função real e ordem cósmica estão já dissociadas em Hesíodo. O combate de Zeus contra Tifão para obter o título de rei dos deuses perdeu o significado cosmogônico. É necessária a ciência de um Cornford para despistar nos ventos que nascem do cadáver de Tifão aqueles que, entranhando-se no interior de Tiamat, separam o céu da terra. Inversamente, a narração da gênese do mundo descreve um processo natural, sem ligação com o rito. Apesar do esforço de delimitação conceitual que aí se manifesta, o pensamento de Hesíodo permanece no entanto mítico.

Versões do Mito de Hesíodo

Em uma primeira versão, a narrativa descreve as aventuras de personagens divinas1: Zeus luta pela soberania contra Tifão, dragão de mil vozes, força de confusão e de desordem. Zeus mata o monstro, cujo cadáver dá nascimento aos ventos que sopram no espaço separando o céu e a terra. Depois, incitado pelos deuses a tomar o poder e o trono dos imortais, Zeus reparte entre eles as "honras".

Do Mito à Razão (I): O Mito Grego

No decurso dos últimos cinquenta anos, a confiança do Ocidente neste monopólio da razão foi todavia abalada. A crise da física e da ciência contemporâneas minou os fundamentos — que se julgavam definitivos — da lógica clássica. O contato com as grandes civilizações espiritualmente diferentes da nossa, como a da Índia e a da China, rompeu os quadros do humanismo tradicional. O Ocidente já não pode hoje considerar o seu pensamento como sendo o pensamento, nem saudar na aurora da filosofia grega o nascer do sol do Espírito.

Teeteto

Sobre o conhecimento científico. Contra o heraclitismo epistemológico.

Segundo Adriana Manuela Nogueira e Marcelo Boeri, tradutores do diálogo para a Fundação Calouste (Lisboa, 2010) é a seguinte sua estrutura e argumento.

A estrutura do diálogo parece comparativamente simples. Após uma dupla introdução dramática, a segunda das quais gradualmente vai assumindo uma função metodológica, Sócrates lança a pergunta - "O que é o saber?" que comandará todo o diálogo.

Teeteto 142-143 — Diálogo introdutório

Segundo F. M. Cornford, precede ao diálogo principal uma conversação introdutória entre Euclides e Terpsion de Megara, amigos ambos de Sócrates, que se achavam presentes no dia de sua morte. Evidentemente, Platão se propôs dar uma prova de sua estima por Teeteto, um membro da Academia que se havia feito famoso por seus descobrimentos matemáticos. O relato de Euclides acerca da maneira em que escreveu a parte principal do diálogo é indubitavelmente fictício. Nenhuma conversação deste tipo poderia ter lugar na vida de Sócrates.