Gobry

Ivan Gobry, Le vocabulaire grec de la philosophie. Les Éditions Ellipses, Paris. Trad. em português: Ivone C. Benedetti, Martins Fontes.

Gobry: kinesis

kínesis (he) /kinesis: movimento, mudança. Latim: motus.

kinetón (tó) / kineton e kinoúmenon (tó) / kinoumenon: móvel, ser movido. Latim: mobile.

kinoûn (tó) / kinoun: motor, o ser que move. Latim: movens.

thanatos

thánatos (tó) / thanatos: morte.

"A morte [...] é separação entre alma e corpo" (Platão, Fédon, 64c). "A morte nada é para nós" (Epicuro, Carta a Meneceu, D.L.,X, 124)."A morte não é um mal, mas o mal é a opinião de que a morte é um mal" (Epicteto, Manual,V). [Gobry]

autos

autós / autos: si mesmo, em si, próprio. Reflexivo: hautós / hautos.

Gramaticalmente, autos significa ao mesmo tempo eu mesmo, si mesmo, a própria coisa, próprio (latim: ipse); o mesmo, a mesma coisa: tò autó / to auto (neutro) (latim: idem). Platão o emprega em sentido de substância: o em-si; Aristóteles, no sentido de idêntico: o mesmo que si.

Dos pontos de vista lógico e metafísico, autos tem parentesco com hómoios / homoios: semelhante.

Opõe-se a:

- o outro: héteros / heteros

- um outro: állos / allos

- diferente: diáphoros / diaphoros

mneme

mnéme (he) / mneme: memória.

É a faculdade de aprender (Aristóteles, Met., A, 1). Sinônimo: mnemosyne. [Gobry]

phobos

phóbos (ho) / phobos: medo.

Uma das quatro paixões principais para os estoicos (D.L.,VII, 112). v. páthos / pathos. [Gobry]

Gobry: hyle

hýle (he): matéria. Latim: matéria.

Derivado: hylikós / hylikos: material.

Substância indeterminada comum aos corpos: uma árvore, um móvel e uma bengala têm como matéria comum a madeira. A abstração chega a imaginar uma matéria indiferenciada, que não é nem madeira, nem pedra, nem metal, mas uma realidade sensível de que são feitas todas as coisas.

Gobry: kakon

kakón (tó) / kakon, mal. Latim: malum. Plural: kaká (tá) / kaka.

No masculino: kakós (ho) / kakos; malvado, aquele que comete o mal.

Kakón é o adjetivo neutro substantivado de kakós, mau, ruim. Designa o mal em geral, porém mais especialmente o mal moral, aquele que é cometido pelo homem.

mania

mania (he) / manía (he): delírio.

Em Platão, dom divino que transporta a alma para as Realidades eternas. Em Mênon (98c-100b), designa a profecia, a adivinhação, a poesia, a direção carismática do Estado. Em Fedro (244a-251a), são a profecia, a prece, a poesia e o amor (eros). [Gobry]

Gobry: noûs

noûs (ho): espírito. Latim: spiritus, intellectus.

Esse termo tem dois sentidos:

- substância: espírito;

- faculdade mental: inteligência.

Essa forma, usual nos filósofos clássicos, é a contração de nó-os (noos), que se encontra no dialeto jônio; o radical no designa pensamento. A linguagem filosófica emprega vários derivados:

nóesis / noesis: Razão contemplativa.

noerós / noeros: Intelectual.

nóema / noema: Pensamento. Arcaico, empregado por Parmênides.