Críton

Sobre os deveres cívicos. Sócrates, modelo de cidadão, renuncia salvar sua vida para permanecer fiel às leis de , às quais dá um sentido religioso, como expressão da vontade de Deus.

Críton

Sobre os deveres cívicos. Sócrates, modelo de cidadão, renuncia salvar sua vida para permanecer fiel às leis de Atenas, às quais dá um sentido religioso, como expressão da vontade de Deus.


Wikipedia: Português; Espanhol; Francês; Inglês (mais completa)
Estrutura do Diálogo

Criton

CRI 54d-54e: Epílogo

Sócrates- Essa recriminação, Critão, meu querido companheiro, fica certo, parece-me que as estou ouvindo, tal como aos coribantes parece estarem ouvindo o som das flautas; é a ressonância mesma dessas palavras que zumbe no meu íntimo e não me deixa ouvir a outrem. Por isso, acredita-me, tanto quanto creio agora, o que disseres em sentido diverso, di-lo-ás em vão. No entanto, se esperas algum resultado, podes falar.

Critão- Não, Sócrates; não tenho o que dizer.

Sócrates- Então desistem, Critão, procedamos daquela forma, porque tal é o caminho por onde a divindade nos guia.

CRI 51c-54d: Prosopopeia das Leis

Sócrates- "Vê, portanto, Sócrates" diriam talvez as Leis, " temos razão em tachar de injusto o que intentas fazer-nos agora. Nós que te geramos, te criamos, te educamos, te admitimos à participação de todos os benefícios que podemos proporcionar a ti e a todos os demais cidadãos, sem embargo, proclamos termos facultado ao ateniense que o quiser, uma vez entrada na posse dos direitos civis e no conhecimento da vida pública e de nós, as Leis, se não formos de seu agrado, a liberdade de juntar o que é seu e partir para onde bem entender.

CRI 49e-54d: Diálogo de Sócrates com as Leis

Sócrates- Passo, então, às decorrências; ou melhor, pergunto se uma convenção que se firmou com alguém, sendo justa deve ser cumprida ou traída.

Critão- Deve ser cumprida.

Sócrates- Daí, presta atenção. Saindo daqui, desobedientes à cidade, lesamos a alguém e logo a quem menos devemos lesar, ou não? E cumprimos as convenções justas que firmamos, ou não?

Critão- Não sei responder a tuas perguntas, Sócrates; não as estou compreendendo.

CRI 46b-49e: Recusa de Sócrates

Sócrates- Querido Critão! Quão precioso o teu ardor, se alguma retidão o acompanhasse! Não sendo assim, quanto mais insistente, tanto mais penoso. Temos, pois, de examinar se devemos proceder como queres ou não. Quanto a mim, não é de agora, sempre fui deste feitio: não cedo a nenhuma outra de minhas razões, senão à que minhas reflexões demonstram ser a melhor.

CRI 44b-49e: Critão propõe a Sócrates de fugir

Critão- Por demais, penso eu. Contudo, meu pobre Sócrates, ainda uma vez, dá-me ouvidos e põe-te a salvo; porque, para mim, se vieres a morrer, a desdita não será uma só; à parte a perda de um amigo como não acharei nenhum igual, acresce que muita gente, que não nos conhece bem, a mim e a ti, pensará que eu, podendo salvar-te, se me dispusesse a gastar dinheiro, não me importei. Ora, existe reputação vergonhosa do que a de fazer caso do dinheiro que dos amigos? O povo não vai acreditar que tu é que não quiseste sair daqui, a despeito de o querermos nós mais que tudo.

CRI 43a-44b: Prólogo

Sócrates- Por que viestes a estas horas, Critão? É madrugada ainda, não é?

Critão- Perfeitamente.

Sócrates- Que horas, precisamente?

Critão- Mal começa a clarear.

Sócrates- Admira-me que o guarda da prisão te haja atendido.

Critão- Ele já se acostumou comigo, Sócrates, de tanto eu freqüentar este lugar; ademais, deve-me alguns favores.

Sócrates- Acabas de chegar ou faz tempo?

Critão- Faz já algum tempo.

Sócrates- Então, porque não me acordaste logo e sentaste aí calado?

Critão

Diálogos Platônicos
De Platão, CRITÃO (Críton), ou o DEVER
Extraído do livro Diálogos, da coleção Clássicos Cultrix.
Tradução: Jaime Bruna.
Datilografado por Miguel Duclós, para a Consciência Homepage

Personagens: Sócrates e Critão, dois velhos.
Cena: Uma cela, na prisão de Atenas.

Critón

El Critón es el más breve de los escritos de la primera época de Platón. Por su contenido está muy próximo a la Apología. Se trata todavía de tomar decisiones que pueden salvar la vida. La prisión y la próxima ejecución son las secuencias obligadas de la sentencia dictada en el juicio. Encierra, incluso, una justificación de la actitud adoptada por Sócrates en su defensa.