Parmênides

Parmênides de Eleia (cerca de 530 a.C. - 460 a.C.) é o principal representante da escola eleata, personagem do diálogo platônico homônimo. Compôs um único poema, conservado em partes, em hexâmetros épicos, que, pela adoção de seus pensamentos por Platão, exerceu grande influência sobre a tradição platônica. [SCHÄFER]

Objeções de Aristóteles a Platão

Aristóteles e as objeções a Platão.

Aristóteles de Estagira, filho do famosa médico do rei Filipe, preceptor ele mesmo do jovem Alexandre, foi quem viu já com clareza as falhas do pensamento de Platão. Em vários dos seus escritos, com muita frequência, Aristóteles polemiza com Platão. Para com Platão, Aristóteles tem o máximo respeito; em todo momento chama-o seu mestre, seu amigo. Polemiza, todavia, com frequência com ele. E as objeções que Aristóteles formula contra a teoria das ideias de Platão podem reduzir-se a seis grupos característicos.

Transcendentismo das ideias platônicas

Mas este transcendentismo das ideias platônicas oferece, evidentemente, o flanco a muitas críticas. O trabalho que levou a efeito Platão a partir dos resultados conseguidos por Parmênides foi um trabalho grandioso. Platão construiu, com os elementos que tomou de Parmênides e com os elementos que tomou de Sócrates, uma grande filosofia, cuja influência no pensamento humano ninguém pode diminuir o mínimo que seja.

Sof 258b-259b: O desprezo de Parmênides

Estrangeiro – Não percebeste que com nossa rebeldia ultrapassamos de muito a proibição de Parmênides?

Teeteto – Como assim?

Estrangeiro – Violamos o limite por ele interditado, e em nossa investigação lhe mostramos mais coisas do que o que ele próprio admitira.

Teeteto – De que jeito?

Estrangeiro – Algures ele diz:

Nunca possível ser-te-á compreender que o não-ser possa ser
Desse caminho conserva afastado o intelecto curioso.

Teeteto – Sim, foi isso mesmo que ele disse.

Sof 241b-242b: Necessidade de criticar a negação do Não-ser

Estrangeiro – Bem lembrado. Porém passemos a considerar o que será preciso fazer com o sofista. Se insistirmos em procurá-lo na classe dos falsos obreiros e charlatães, bem vês como as dificuldades e as objeções nos surgem aos montes.

Teeteto – Sem dúvida; em grande quantidade, mesmo.

Estrangeiro – E note-se que só nos ocupamos com uma parte mínima, porque elas são, a bem dizer, infinitas.

Teeteto – Se é assim, nunca apanharemos o sofista.

Estrangeiro – Como! Vamos desistir do nosso propósito, só por comodidade?

Bréhier: COMUNICAÇÃO DAS IDEIAS

Excertos da tradução de História da Filosofia, de Émile Bréhier, por Eduardo Sucupira FIlho

O que, por seu turno, vai o Sofista demonstrar é a absoluta necessidade da hipótese. O diálogo tem por objeto as dificuldades suscitadas pela definição do sofista. Se dizemos, com efeito, que é aquele que não possui senão aparência de conhecimento (233 c), ele tergiversará, respondendo que o erro é impossível, dado que consistiria em pensar o não-ser. Ora, não é certo que o não-ser não é (236 e-237 a; 241 d)?