onta

gr. ón, ónta (pl.) ou einai: ser, seres. Dupla significação: a) o ser singular, o existente; b) o ato de ser, o fato de ser; e daí: o ser em geral, tomado abstratamente; que pode vir a ser, em Platão: o Ser em si, a Essência do Ser, Realidade inteligível.

Sof 256d-259b: O Outro, não-ser do Ser

Estrangeiro – A esse modo, com toda a segurança, não é ser o movimento, como também é ser, visto participar da existência.

Teeteto – Certíssimo.

Estrangeiro – De onde fica também certo, necessariamente, que o não-ser está no movimento e em todos os gêneros, pois a natureza do outro, entrando em tudo o mais, deixa todos diferentes do ser, isto é, como não- ser, de forma que, sob esse aspecto, poderemos, com todo o direito, denominá-los não existentes, e o inverso: afirmar que são e existem, visto participarem da existência.

Teeteto – É possível.

Sof 254d-256d: Cinco gêneros primeiros irredutíveis.

Estrangeiro – Ora, os mais importantes gêneros entre os que acabamos de considerar são o próprio ser, o repouso e o movimento.

Teeteto – Sem dúvida, da maior importância.

Estrangeiro – Como diremos, também, que os dois últimos absolutamente não se misturam.

Teeteto – De forma alguma.

Estrangeiro – Porém o ser se mistura com ambos, pois, de uma forma ou de outra, ambos são.

Teeteto – É evidente.

Estrangeiro – Por conseguinte, serão três.

Teeteto – Como não?

Sof 252d-253c: Segunda e terceira teses

Estrangeiro – E então? E se concedêssemos a todas as coisas a faculdade de se comunicarem entre si?

Teeteto – Eis uma questão que eu sou capaz de resolver.

Estrangeiro – De que jeito?

Teeteto – Ora, porque o próprio movimento ficaria em repouso e o repouso se moveria, se ambos se reunissem.

Estrangeiro – Porém é de todo em todo impossível parar o movimento ou movimentar-se o repouso.

Teeteto – Sem dúvida.

Estrangeiro – Só nos resta, pois, a outra alternativa.

Teeteto – Certo.

Sof 251e-252d: Crítica da tese da incomunicabilidade das essências

Estrangeiro – Então, para começar, caso estejas de acordo, admitamos haverem eles afirmado que nada tem o poder de comunicar-se de qualquer maneira seja com o que for. Nessa hipótese, o repouso e o movimento não participarão, em absoluto, do ser.

Teeteto – Não, evidentemente.

Estrangeiro – Mas, como! Qualquer deles poderá existir, se não participar do ser?

Teeteto – Não é possível.

Sof 251c-253c: Três teses

Estrangeiro – Para que nossa investigação abranja todos os que já trataram do ser, não importando a época, fique desde já assentado que o que vamos expor sob a forma de perguntas se dirige tanto a eles como aos que agora mesmo conversaram conosco.

Teeteto – Que perguntas serão?

Sof 249d-264b: A natureza do Ser

Estrangeiro – E então? Não te parece que com essa definição já abarcamos muito bem o ser?

Teeteto – Perfeitamente.

Estrangeiro – Que pena, Teeteto! Pelo que vejo chegou a hora de termos de reconhecer quanto é ingrato nosso empreendimento.

Teeteto – Como! Que queres dizer com?

Estrangeiro – Pois meu bem-aventurado amigo não percebes que atingimos o ponto mais elevado da ignorância a seu respeito, muito embora tenhamos a presunção de haver dissertado com proficiência?

Sof 248e- 249d: Movimento, vida, pensamento, propriedades do Ser

Estrangeiro – Mas, por Zeus! Como poderá ser tal coisa? Teremos de admitir, assim à ligeira, que de fato o movimento, a vida, a alma, o pensamento não participam verdadeiramente do ser absoluto, e que este nem vive nem pensa, mas, venerável, sagrado e privado de inteligência, permanece imóvel?

Teeteto – Fora uma concessão um tanto dura, hóspede.

Estrangeiro – Então, afirmaremos que é dotado de inteligência mas que não tem vida?

Teeteto – Como fora possível?

Estrangeiro – Ou diremos que é dotado desses dois atributos, porém não os possui na alma?

Sof 248a-248e: Crítica do idealismo

Estrangeiro – Passemos agora para os outros, os amigos das ideias. Interpreta-nos também o que disserem.

Teeteto – Farei isso mesmo.

Estrangeiro – A essência e a geração diferem, e aceitais ambas como distintas, não é isso mesmo?

Teeteto – Sim.

Estrangeiro – E que só participamos da geração por intermédio do corpo, como é com a alma, por meio do pensamento, que nos comunicamos com o ser verdadeiro, o qual, como afirmais, é sempre o mesmo e imutável, ao passo que a geração varia.

Teeteto – Sim, é o que afirmamos.