Sofistas

Definições de Platão: caçador assalariado de jovens ricos e distinguidos.

Apologia 19d-20c: Não me faço pagar como os sofistas

Na realidade, nada disso é verdadeiro, e, se tendes ouvido de alguém que instruo e ganho dinheiro com isso, não é verdade. Embora, em realidade, isso me pareça bela coisa: que alguém seja capaz de instruir os homens, como Górgias Leontino, Pródico de Coo, e Hípias de Élide. Porquanto, cada um desses, ó cidadãos, passando de cidade em cidade, é capaz de persuadir os jovens, os quais poderiam conversar gratuitamente com todos os cidadãos que quisessem; é capaz de persuadir a estar com eles, deixando as outras conversações, compensado-os com dinheiro e proporcionando-lhes prazer.

Sof 264b-268c: Epílogo. O que é o Sofista.

Estrangeiro – Por isso, não desanimemos ante o que ainda nos falta realizar; e já que conseguimos chegar até aqui, voltemos a tratar de nosso processo de divisão.

Teeteto – Que divisão?

Estrangeiro – Distinguimos duas classes na arte de fazer imagens: a da cópia e a dos simulacros.

Teeteto – Certo.

Estrangeiro – E também nos confessamos em dificuldade para incluir o sofista numa delas.

Teeteto – Isso mesmo.

Sof 245e-249d: Doutrinas relativas à natureza do Ser

Estrangeiro – Estamos longe de ter esgotado o número dos pensadores meticulosos que se ocuparam com a questão do ser e do não-ser, porém o que já vimos é suficiente. Precisamos agora considerar os que defendem outras doutrinas para, no final de contas convencermo-nos de que a natureza do ser não é absolutamente mais fácil de compreender do que a do não-ser.

Teeteto – Então, passemos também a examiná-los.

Estrangeiro – Dão-nos a impressão de que todos estão travados numa luta de gigantes, tal é sua discordância a respeito do ser.

Teeteto – Como assim?

Sof 244b-245e: Doutrinas monistas do Ser

Estrangeiro – E então? Não precisaremos informar-nos junto dos que afirmam que o todo é um, qual é a propriedade que eles atribuem ao ser?

Teeteto – Como não?

Estrangeiro – Então, que me respondam a isto: Dizeis que só existe o Uno? É o que afirmamos, responderiam. Não é isso mesmo?

Teeteto – Sim.

Estrangeiro – E agora: Dais o nome de Ser a alguma coisa?

Teeteto – Sem dúvida.

Estrangeiro – Que será o mesmo que Um, recorrendo, assim, a duas denominações para a mesma coisa, ou como diremos?

Sof 243d-244b: Doutrinas pluralistas do Ser

Estrangeiro – Acompanhas-me rente ao calcanhar, Teeteto. A meu ver, o método aconselhável será interrogá-los da seguinte maneira, como se eles estivessem presentes: Vejamos, vós aí, defensores da ideia de que o todo é o quente e o frio ou dois princípios semelhantes: que pretendeis, ao certo, enunciar, quando dizeis que um e outro ou cada um de per si é ou existe? Como devemos entender esse vosso É? Teremos de admitir um terceiro princípio acrescentado aos dois primeiros, e aceitar que o todo é três, conforme dissestes, não dois apenas?

Sof 242c-245e: Doutrinas relativas ao número do Ser

Minha impressão é que cada um nos contava uma história, como se fôssemos crianças: um dizia que os seres são três e que, por vezes, entre eles surgia briga, mas quando se tornavam amigos, então havia casamento, filhos e educação da prole. Outros falavam em dois princípios: úmido e seco, ou quente e frio, que faziam casar e morar juntos. Nossa gente de Eleia, desde o tempo de Xenófanes, senão antes, conta sua história como se o que denominamos múltiplo não fosse mais que um.

Sof 242b-249d: Exposição crítica das doutrinas do Ser

Estrangeiro – Então, por onde devemos começar tão perigosa discussão? Quer parecer-me, filho, que seremos forçados a enveredar por este caminho.

Teeteto – Qual é?

Estrangeiro – Iniciar a investigação pelo que nos parece evidente, para não nos atrapalharmos nem chegarmos muito cedo a um acordo, como se tudo houvesse sido bem solucionado.

Teeteto – Sê mais claro no que falas.

Estrangeiro – O que eu acho é que Parmênides e quantos se empenharam no exame e na determinação do número e da natureza dos seres, não se preocuparam nada de conversar conosco.

Sof 241b-242b: Necessidade de criticar a negação do Não-ser

Estrangeiro – Bem lembrado. Porém passemos a considerar o que será preciso fazer com o sofista. Se insistirmos em procurá-lo na classe dos falsos obreiros e charlatães, bem vês como as dificuldades e as objeções nos surgem aos montes.

Teeteto – Sem dúvida; em grande quantidade, mesmo.

Estrangeiro – E note-se que só nos ocupamos com uma parte mínima, porque elas são, a bem dizer, infinitas.

Teeteto – Se é assim, nunca apanharemos o sofista.

Estrangeiro – Como! Vamos desistir do nosso propósito, só por comodidade?

Sof 239b-241b: O Não-ser e o Sofista

Estrangeiro – Sendo assim, como acreditar no que eu falo? Pois tanto agora como antes, redondamente na tentativa de refutar o não-ser. Vamos procuremo-lo agora em ti.

Teeteto – Que queres dizer com isso?

Estrangeiro – Prossigamos! Com a galhardia própria dos moços, esforça-te ao máximo, e sem atribuir ao não-ser nem existência nem unidade nem pluralidade numérica, procura dizer algo razoável a respeito do não-ser.

Teeteto – Precisava ser temerário além da conta para tentar alguma coisa, depois de ver o que aconteceu contigo.