philosophia

gr. : amor da sabedoria, filosofia. Mais que uma técnica ou uma região particular do saber, e mais que a forma mais elevada do saber, a filosofia designa nos diá platônicos um desejo que vem alimentar e excitar, naquele que dela faz o princípio de sua existência, um certo número de exigências e de práticas. (Luc Brisson)

Física, primeira filosofia

A Física (que certamente começou além dela, numa metafísica com traços semelhantes aos de determinados mitos teocosmogônicos) é a primeira filosofia que a religião grega veio a ser. Por conseguinte, a mitologia grega é a mitologia emergente de uma religião, a cuja essência pertence o vir a ser, em primeiro lugar, uma física (ou melhor: uma physiomythia), i. é, certa imagem da natureza.

Religião grega, matriz da mitologia e da filosofia

A religião grega, aqui, suposta matriz da mitologia e da filosofia, constitui-se, pois, como uma religião que, toda ela, se oculta em sua progênie. Dir-se-ia até que o próprio ser da religião grega reside nesse mesmo ocultar-se em sua descendência. E, inversamente, na Grécia, a mitologia e a filosofia não emergem à luz do sol (história, consciência), senão enquanto a religião imerge nas sombras da noite (pré-história, inconsciente). A poesia e a filosofia devoram a religião, nutrem-se do materno corpo de seu próprio ser.

Filosofia Grega e Consciência Religiosa

Que a filosofia grega nos pode aparecer como forma sui generis da consciência religiosa, inclusive, como pretendendo substituí-la, é o que se nos mostra em vários momentos da sua história, em especial, no princípio e no fim, se é que, a propósito de «filosofia grega», ainda se pode falar de um fim ou de um término. Mas a lição mais instrutiva que desse fenômeno nos é dado extrair, é que houve outrora uma religião, i. é, certa consciência da presença dos deuses no mundo, ou além dele, que nasceu fatalmente destinada a vir a ser aquilo que nós denominamos «filosofia».

Anaxágoras: sentido e alcance de sua filosofia

O problema essencial que se coloca ao comentador consiste em saber o que deve entender-se por este Espírito, que Anaxágoras põe no centro de todas as suas explicações.

A dar crédito a Platão, este Espírito não passaria de uma espécie de Deus ex machina sem muita consistência, e Sócrates diz-nos quanto a leitura de Anaxágoras, em que tinha depositado muitas esperanças, o tinha profundamente decepcionado (cf. Fédon, 97 c). Aristóteles vê igualmente no Espírito de Anaxágoras o que ele invoca quando está embaraçado para explicar a produção de um fenômeno (Metaf., I 3, 985 a 17).

O destino de Empédocles

Submitted by mccastro on Mon, 18/06/2012 - 10:57

Este personagem fabuloso impressionou a imaginação de Hölderlin e de Nietzsche, que quiseram fazer dele o tema de tragédias que nunca terminaram. Para Hölderlin, Empédocles é o herói romântico, devorado pelo desejo do infinito; para Nietzsche, é «o homem agonal» no qual se afrontam o século do mito e do orgiasmo e o do racionalismo1. Schopenhauer confessou-nos igualmente a sua dívida para com Empédocles.

Empédocles — Teologia

A filosofia de Empédocles, não nos surpreenderemos de tal depois do que ficou dito, atribuía uma importância muito grande à metempsicose. Esta visão escatológica tinha antecedentes na tradição órfico-pitagórica, mas podia igualmente encontrar nas teorias empedocleanas da associação e do ciclo dos seres um apoio para as suas posições.

Eudoro de Sousa (80): Heráclito - "meio proporcional"

80. Com esta maneira de interpretar a relação entre o frg. 26 e o frg. 30 (e 31), concorre o que acima (§ 76) ficou escrito sobre certa forma do pensamento arcaico dos Gregos: o «meio proporcional». No frg. 26, temos sono e vigília, como no frg. 1 e nos demais que citamos em cotejo, no propósito de evidenciar aquela proporcionalidade que exige, como quarto termo, um x igual a uma «vigília tal que, comparada com ele, a vigília comum é sono».

Enéada III, 4, 6 — Destino das almas

6-¿Quién es entonces el sabio? El que actúa por su mejor parte. No sería verdaderamente un sabio si el demonio trabajase en colaboración con él. Es, pues, su inteligencia la que actúa. De ahí que el sabio sea ya un demonio, o bien actúe según un demonio que, para él, constituye un dios. Porque, ¿podría haber un demonio por encima de la inteligencia? Sin duda, ya que la realidad que está por encima de la inteligencia es para él un demonio. ¿Por qué, sin embargo, no dispone desde un principio de la sabiduría?