horos

gr. hóros ou horismós: limite, definição. Metafísica: a definição corresponde à quididade (tò tí ên einai) (Met., Z, 4, 10, 12). Lógica: a definição de um ser se faz por suas causas (Aristóteles, Anal. Post., II, 9). É um predicável; exprime a essência de um sujeito (id. Tóp., I, 5).

Sof 233a-236d: O problema da imitação e da ilusão

Estrangeiro – Pergunto se é possível conhecer-se tudo.

Teeteto – Se fosse assim, Estrangeiro, a raça humana seria composta só de eleitos.

Estrangeiro – De que maneira, então, num debate com algum indivíduo atilado poderá o ignorante dizer algo sadio?

Teeteto – Não é possível

Estrangeiro – E qual será o segredo dessa habilidade sofística?

Teeteto – A respeito de quê?

Sof 231c-233a: Recapitulação para retomar a investigação

Estrangeiro – Inicialmente, aproveitemos esta pausa para tomar fôlego, e enquanto descansamos, cá entre nós façamos a conta das formas sob que o sofista já nos apareceu. Se mal não me lembro, de início achamos que ele era um caçador que sabia cobrar seus serviços para pegar moços ricos.

Teeteto – Isso mesmo.

Estrangeiro – Em segundo lugar, mercador de conhecimentos para a alma.

Teeteto – Perfeitamente.

Estrangeiro – E em terceiro, não se nos revelou retalhista desses mesmos conhecimentos?

Sof 229d-231c: Esta obra não é do filósofo socrático?

Estrangeiro – Quer parecer-me que neste ponto ela é divisível.

Teeteto – Onde?

Estrangeiro – No ensino pelo discurso, ao que parece, há um trecho mais áspero e outro mais liso.

Teeteto – E que qualificativo Ihes daremos?

Estrangeiro – Um deles é o método vetusto e venerável que nossos pais geralmente seguiam na educação dos filhos, e que ainda hoje muitos adotam quando os veem cometer alguma falta, misto moderado de reprimenda e advertência, e que no todo poderia ser chamado exortação.

Teeteto – Isso mesmo.

Sof 226a-229d: O Sofista é o que purifica a alma?

Estrangeiro – Como vês, é muito acertado dizer-se que se trata de um animal de múltiplas facetas. Daí, confirmar-se o dito, de que nem tudo se pode pegar só com uma das mãos.

Teeteto – Pois empreguemos duas.

Estrangeiro – Sim, é o que precisaremos fazer, empenhando nisso todos os nossos recursos, a fim de acompanhar-lhe o rastro. Dize-me o seguinte: não temos designações especiais para determinadas ocupações servis?

Teeteto - Muitas, até; porém, no meio de tantas, a quais particularmente te referes?

Sof 224e-226a: O Sofista lucra com a disputa

Estrangeiro – Vejamos agora se o gênero por nós procurado não tem alguma semelhança com tudo isso.

Teeteto – Semelhança, de que jeito?

Estrangeiro – Já vimos que a disposição para a luta constitui uma das condições da arte aquisitiva.

Teeteto – Sem dúvida.

Estrangeiro – Então, não será fora de propósito dividi-la em duas partes.

Teeteto – Declaremos logo quais sejam.

Estrangeiro – Uma é competição; a outra, pugna.

Teeteto – Exato.

Sof 223b-224d: O Sofista vende um saber sobre a alma

Estrangeiro – Consideremos também o seguinte, pois o que procuramos não participa de uma arte simples, senão de múltiplas facetas. De tudo o que expusemos até agora, só nos surgiu um simulacro, como se o sofista não fosse o que acabamos de dizer, mas pertencesse a gênero diferente.

Teeteto – Como assim?

Estrangeiro – A arte aquisitiva compreende duas espécies: uma, na base de donativos, e a outra na de compra e venda.

Teeteto – Sim, digamos isso mesmo.

Estrangeiro – Acrescentemos, ainda, que esta última, a de compra e venda, é também dupla.

Sof 218e-221c: Definição pela escolha de dois termos de uma alternativa

Estrangeiro – Que assunto, pois, escolheremos, simples, a um tempo, e fácil de conhecer, mas cuja explicação não exija menor número de características do que temas importantes? O do pescador, talvez? Não é assunto bastante conhecido e não nos merece a maior atenção?

Teeteto – Isso mesmo.

Estrangeiro – Espero que nos aponte o caminho procurado e propicie a definição mais condizente com o nosso intento.

Teeteto – Seria ótimo.

Sof 218b-218e: Preceito geral; definindo objetos familiares

Estrangeiro – Belas palavras; porém sobre isso tu mesmo resolverás no decorrer de nossa discussão. No momento, o que importa é te associares comigo para darmos início ao nosso estudo, a começar, segundo penso, pelo sofista; investiguemo-lo e mostremos com nossa análise o que ele venha a ser. Por enquanto, eu e tu apenas num ponto estamos de acordo: o nome. Mas, quanto à coisa designada por esse nome, talvez cada um de nós faça ideia diferente.