doxa

gr. dóxa: 1) opinião, 2) juízo. Segundo Jayme Paviani, é uma modalidade de conhecimento considerado inferior ou pseudo-conhecimento na perspectiva platônica. Para Fraile, as artes e as ciências que se ocupam do estudo da natureza, embora necessárias por sua utilidade para a vida prática, não passam da ordem da opinião ( ), pois se "aplicam ao que sempre está chegando e nunca chega a ser" (Filebo 59a).

Teeteto

Sobre o conhecimento científico. Contra o heraclitismo epistemológico.

Segundo Adriana Manuela Nogueira e Marcelo Boeri, tradutores do diálogo para a Fundação Calouste (Lisboa, 2010) é a seguinte sua estrutura e argumento.

A estrutura do diálogo parece comparativamente simples. Após uma dupla introdução dramática, a segunda das quais gradualmente vai assumindo uma função metodológica, Sócrates lança a pergunta - "O que é o saber?" que comandará todo o diálogo.

Eutidemo

Contra as falácias dialéticas dos sofistas.

Resumo de Jean Brun
No Eutidemo, em que Sócrates denuncia também a vaidade do saber enciclopédico dos sofistas, é-nos dito que, mesmo que existisse uma ciência capaz de tornar imortal, de nada serviria se não soubéssemos usar essa imortalidade. Precisamos, então, de um saber que ao mesmo tempo produza e saiba usar aquilo que produz (289 b).

Mênon

Sobre se a virtude pode ser ensinada. Conclusão negativa, contrária à tese de Sócrates. Insuficiência da razão discursiva, que deve apoiar-se na experiência e completar-se com a intuição. Aparecem os primeiros elementos pitagóricos, a preexistência das almas e a reminiscência. Mas isto talvez atrase um pouco a redação deste diálogo, como com o do Górgias. Segundo alguns autores, marca a crise, o momento que Platão se dá conta que seus problemas transcendem os limites em que pensou e viveu Sócrates.

Filebo 39c-40e — Um prazer ou uma dor são opiniões sobre o futuro

Sócrates – Se estiver tudo certo tudo o que dissemos até aqui, precisaremos examinar ainda o seguinte ponto.

Protarco – Qual?

Sócrates – Se as ocorrências presentes e passadas produzem necessariamente esses efeitos em nós, porém não as frutas.

Protarco – O mesmo se dará em qualquer tempo com todas.

Sócrates – Há pouco falamos dos prazeres e das dores que nos vêm por intermédio da alma e podem anteceder as que provém do corpo, do que resulta termos prazeres ou sofrimentos antecipados.

Protarco – É muito certo.

Filebo 38a-39c — Condições psicológicas do juízo

Sócrates – Com que calor, Protarco, tomas a defesa do prazer!

Protarco – Nada disso; apenas repito o que ouço por aí.

Sócrates – Não haverá, camarada, para nós diferença alguma entre o prazer associado à opinião verdadeira e o conhecimento, e o que, por vezes, vem de par com a mentira e a ignorância?

Protarco – Tudo indica que a diferença não é pequena.

XVIII – Sócrates – Então, passemos a considerar em que ponto eles diferem.

Protarco – Dirige a discussão como achares melhor.

Sócrates – Vou dirigi-la da seguinte maneira.

Filebo 37a-38a — Prazer e Opinião

Sócrates – Esclarecemos melhor o que expusemos há pouco, acerca do prazer e da opinião. Não há que se chama Formar opinião?

Protarco – Sem dúvida.

Sócrates – E também Sentir prazer?

Protarco – Sim.

Sócrates – E também que a opinião dirá sempre respeito a alguma coisa?

Protarco – Como não?

Sócrates – Passando-se o mesmo com o que é objeto do prazer ?

Protarco – Perfeitamente.

Sócrates – E com respeito à opinião que seja verdadeira quer seja falsa, de qualquer forma não deixará de ser opinião.

Protarco – É evidente.