Brun

Jean Brun é um notável filósofo francês com reflexões sobre a história, a técnica e outros temas. Obras citadas: Platão. Lisboa: Dom Quixote, 1985

O destino de Empédocles

Submitted by mccastro on Mon, 18/06/2012 - 10:57

Este personagem fabuloso impressionou a imaginação de Hölderlin e de Nietzsche, que quiseram fazer dele o tema de tragédias que nunca terminaram. Para Hölderlin, Empédocles é o herói romântico, devorado pelo desejo do infinito; para Nietzsche, é «o homem agonal» no qual se afrontam o século do mito e do orgiasmo e o do racionalismo1. Schopenhauer confessou-nos igualmente a sua dívida para com Empédocles.

Empédocles — Teologia

A filosofia de Empédocles, não nos surpreenderemos de tal depois do que ficou dito, atribuía uma importância muito grande à metempsicose. Esta visão escatológica tinha antecedentes na tradição órfico-pitagórica, mas podia igualmente encontrar nas teorias empedocleanas da associação e do ciclo dos seres um apoio para as suas posições.

Empédocles — Fisiologia

Constitui uma parte muito importante da doutrina, porque não encontramos apenas uma tentativa de descrever a fisiologia dos organismos, e em particular a dos órgãos dos sentidos, mas descobrimos, sobretudo, as primeiras expressões de uma teoria do conhecimento e o remate da visão dramática do mundo, a que preside a luta do Amor e do Ódio.

Empédocles — Cosmogonia

O Amor e o Ódio desempenham papel essencial na cosmogonia de Empédocles. Pode dividir-se em quatro fases:

1) — No estado perfeito do universo, os quatro elementos encontram-se reunidos em quatro partes iguais, numa associação íntima, na qual o Amor eliminou o Ódio, e tudo está harmoniosamente reunido no Sphairos:

Aí não se veem mais os membros ágeis do Sol
Nem a pujança aveludada da terra nem o mar,
De tal modo está fixo no espesso invólucro da Harmonia
O Sphairos circular, alegre na sua revolução solitária, (fgt. 27)

Brun: Empédocles

Várias ações extraordinárias eram atribuídas à sabedoria e poder de Empédocles. Reconhecera que uma epidemia de peste, que assolava a cidade de Selinonte, provinha das emanações insalubres de água próximas da cidade. Empédocles pagou do seu bolso os trabalhos necessários para desviar o curso de rios próximos, que, com as suas correntes, purificaram os locais e arrastaram os miasmas pestilenciais. Transbordando de reconhecimento, os habitantes de Selinonte honraram-no como a um deus.

Empédeclos — Quatro Elementos

Empédocles qualifica de «raízes» das coisas (rizomata panton; fgt. 6) os outros elementos fundamentais, que, segundo Aristóteles, é o primeiro a distinguir (31 A 37). O termo de raiz é aproveitado da terminologia pitagórica. Os predecessores de Empédocles tinham investigado qual podia ser o primeiro elemento a partir do qual todos os outros se teriam constituído. Tales decidiu-se pela água, Anaxímenes pelo ar o Heráclito pelo fogo. Empédocles não privilegia qualquer deles e acrescenta a terra aos três precedentes, terra da qual nasceram os seres vivos (31 A 72) e à qual regressam.

Empédocles — Esfera

Sabe-se que, para Parmênides, o Ser é a permanência e que a via da Verdade é a que conduz ao Ser do qual não há devir. No seu poema, Parmênides comparava o Ser a uma esfera bem arredondada, imóvel, apertada nos laços fortes da necessidade, permanecendo contínua e contígua a si mesma.