sophistes

Segundo Brisson, uma leitura ingênua de Platão e de Aristóteles deixa crer uma condenação sem apelo dos Sofistas, que sempre são postos em oposição a Sócrates. No Sofista, Platão propõe sete definições do Sofista: 1) um caçador interessado em jovens ricos; 2) 3) 4) um comerciante do saber em atacado ou em varejo; 5) um atleta especializado nos combates que fazem intervir a palavra; 6) um especialista em controvérsias que não levam senão a resultados negativos; 7) um contrafeita do filósofo, que multiplica as contradições se fundando na aparência e na opinião, ao invés da realidade.


"Sofista" é um termo que significa "sábio", "especialista do saber". A acepção do termo, que em si mesma é positiva, tornou-se, porém, negativa sobretudo pela tomada de posição fortemente polêmica de Platão e Aristóteles. Como já havia feito Sócrates, eles sustentaram que o saber dos sofistas era "aparente" e não "efetivo" e que, ademais, não era professado tendo em vista a busca desinteressada da verdade, mas sim com objetivos de lucro. Platão, em especial, insistiu na periculosidade das ideias dos sofistas do ponto de vista moral, bem como em sua inconsistência teorética. Durante muito tempo, os historiadores da filosofia adotaram, além das informações fornecidas por Platão e Aristóteles sobre os sofistas, também as suas avaliações, de modo que, geralmente, o movimento sofista foi desvalorizado, sendo considerado predominantemente como um momento de grave decadência do pensamento grego. Somente em nosso século é que foi possível uma revisão sistemática desses juízos e, consequentemente, uma radical reavaliação histórica dos sofistas. Hoje, as conclusões extraídas por W. Jaeger são compartilhadas por todos. Escreve ele: "... os sofistas são um fenômeno tão necessário quanto Sócrates e Platão; aliás, sem eles, estes são absolutamente impensáveis". [Giovanni Reale, História da filosofia: Antiguidade e Idade Média]