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No Tratado-7, Plotino pela primeira vez em sua obra denomina o Uno, o Primeiro, e assim justifica: «Se há algo em seguida ao Primeiro, é necessário ou que esta coisa seja dele oriunda imediatamente, ou que ela aí remonte por intermediários, e deve aí haver uma ordem entre as coisas que vêm em segundo e aquelas que vêm em terceiro ...».

Os tratados precedentes já tinham assinalado que o primeiro princípio é «aquele além do belo» Eneada-I, 6, 9, ou ainda que sendo o «primeiro», ele é «o que é belo por ele mesmo» Eneada-V, 9, 2. A caracterização do Uno como «Primeiro» fará objeto dos desenvolvimentos mais precisos no Tratado-9, mais particularmente em Eneada-VI, 9, 2 e Eneada-VI, 9, 3.


No Tratado-7, Plotino justapõe as principais características de o Primeiro princípio: simples, causa de si, separado do que não é ele, mas também e ao mesmo tempo causa de todas as coisas. A dupla hipótese, de aparência paradoxal, que Plotino entende defender é aquela segundo a qual o Uno não nenhuma das coisas que vêm após ele, sendo a causa delas. A questão da "presença" do Uno em todas as coisas se torna assim o problema maior de toda reflexão sobre o Uno. A dificuldade toca à questão de como Plotino concebe a "participação" de uma realidade a seu princípio, em uma espécie de certa forma de "presença" da segunda no primeiro.