gnosis

gnosis: 1) conhecimento; 2) gnosticismo

1) O termo geral e comum grego para conhecimento. Caso típico deste uso vulgar é Aristóteles, Anal. post. II, 99b-100b, onde a gnosis e os seus equivalentes abrangem a percepção sensível (aisthesis), a memória, a experiência, e o conhecimento científico (episteme). Para os problemas especiais envolvidos no conhecimento de Deus, ver agnostos; 2) em determinada época anterior à era cristã o termo começou a tomar outro sentido; talvez transitório neste processo seja o uso de «verdadeira gnosis» como sinônimo de doutrina cristã, Ireneu, Adv. haer. IV, 33, 8. O seu significado técnico final é um conhecimento secreto e superior que garante a salvação para os «espirituais» (pneumatikoi), Ireneu, Adv. haer, I, 6, 2. [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters]


O conhecimento é uma capacidade, um poder da alma (uma dynamis). O conhecimento, como afeção, está à medida da realidade do objeto que afeta a alma: o não-ser não a afeta, ela permanece ignorante; um simulacro ou uma sombra a afeta pouco, ela está na conjectura ou na crença; uma abstração hipotético-dedutiva, como pode o ser uma raciocínio matemático, lhe permite exercer sua função intelectiva, ela está no racional; em fim, quando ela percebe a realidade, quer dizer o inteligível, ela está no pensamento verdadeiro, que se nomeará ciência, ou melhor dialética. O princípio destas diferentes relações a objetos distintos é assim resumido: "o que é totalmente é totalmente conhecível, enquanto que o que não é de jeito nenhum é totalmente não conhecível" (República 477a). Entre estes dois gêneros de objetos opostos (o ser e o não-ser), Platão evoca gêneros intermediários, em favor de um esquema linear (a "linha" de República VI, 509d-511e). (Luc Brisson)
gnôsis (he) / gnosis: conhecimento. Platão opõe o conhecimento à ignorância (agnosía / agnosia) e à opinião (dóxa / doxa) (Rep.,V, 479d-480q). [Gobry]