Er

Estamos no termo de um longo diálogo rico em peripécias (República X) mas que em nenhum momento perdeu seu fio diretor: a justiça. Resta mostrar em um último debate que a virtude e seu contrário não recebem sua verdadeira sanção senão na vida futura. Para dar a seu discurso seu caráter de revelação divina, Sócrates faz apelo ao relato do mito de Er, cuja alma, se diz, reveio à terra depois de ter estado no reino dos mortos. Sua revelação aporta um complemento essencial aos mitos do Górgias e de Fedão: como se opera, uma vez o juízo estabelecido e a pena purgada, o retorno à vida das almas submetidas à reencarnação? A República fecha depois da passagem da morte aos Infernos. [Geneviève Droz]

VIDE: MITO DE ER, SEGUNDO JEAN BRUN