therapeia

Therapeutes, apresenta os dois sentidos principais do verbo sobre o qual é formada a palavra: “servir, cuidar, cultivar” e “tratar, curar”. No Górgias, Platão qualifica um cozinheiro como um therapeutes somatos, aquele que cuida do corpo. Porém, em Leis, Platão qualifica o filho de “servidor dos deuses, da família, e da cidade”, dando a therapeutes uma nuance de valor religioso, que Diès em sua tradução das Leis, opta por “honrar”.


Para "ocupar-se", emprega ele [Epicuro] therapeuein que é um verbo de múltiplos valores: therapeuein refere-se aos cuidados médicos (uma espécie de terapia da alma de conhecida importância para os epicuristas1), mas therapeuein é também o serviço que um servidor presta ao seu mestre; e, como sabemos, o verbo therapeuein reporta-se ainda ao serviço do culto, culto que se presta estatutária e regularmente a uma divindade ou a um poder divino. [FOUCAULT, Michel. A Hermenêutica do Sujeito. Curso dado no Collège de France (1981-1982). Tr. Márcio Alves da Fonseca & Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 12]

  • 1. Há toda uma temática que toma como centro de gravitação a frase de Epicuro: "Vazio é o discurso do filósofo que não cuida de nenhuma afecção humana. Com efeito, assim como uma medicina que não extirpa as doenças do corpo não tem qualquer utilidade, assim também uma filosofia, se não extirpa a afecção da alma (221 Us)" (trad. fr. A-J. Voelke, in La Philosophie comme thérapie de l'âme, Paris, Éd. Du Cerf, 1993, p. 36: cf., na mesma obra, os artigos: "Santé de l'âme et bonheur de Ia raison. La fonction thérapeutique de la philosophie dans l'épicurisme" e "Opinions vides et troubles de l'âme: la médication épicurienne").