Platonistas de Cambridge

O platonismo florentino exerceu uma influência sobre os reformadores de Oxford: John Colet (1466-1519), Thomas More (1478-1535), Thomas Campanella (1568-1639) e Francis Bacon (1561-1626). Já no século XVII, encontramos uma influência da tradição platônica sobre o pensamento religioso, no platonismo de Cambridge, cujo principal representante foi Ralph Cudworth (1617-1688). Este movimento no século XVII também visava à retomada do pensamento de Platão em contraposição ao racionalismo cartesiano.

John Smith (1618-1652)

One of the marked features of present Christian thinking is the refreshing and new expression which it is finding in the revival of the Greek theology over against the Latin: and of this movement John Smith was a notable forerunner. Theology has descended through the Latin branch of the church and in some directions had become so Latinized, Augustinized, and Calvinized, that it was in sore need of being re-Chris-tianized.

Platonistas de Cambridge

No século XVII um grupo pensadores de Cambridge foram atraídos em conjunto em direção a Platão, e, desde então, ficaram conhecidos pelo nome de Platonistas de Cambridge. Mas eles de fato não retornaram inteiramente até Platão, pararam em Alexandria, encontrando aí uma rica veia de pensamento que os satisfez. Eram vistos como eclesiásticos de "mente aberta" em seu tempo, e sua influência percorreu vários pequenos canais além daquele de sua corrente principal, embora de novo se atenuasse no século XVIII, até que fosse revivida por Coleridge.

John Smith: Discurso II - Busca

To seek our divinity merely in books and writings, is to seek the living among the dead: we do but in vain seek God many times in these, where His truth too often is not so much enshrined as entombed: — no; intra te quaere Deum, seek for God within thine own soul; He is best discerned noera epaphe as Plotinus phraseth it, — by an intellectual touch of Him — we must see with our eyes, and hear with our ears, and our hands must handle the word of life, that I may express it in St. John's words.

John Smith: Discurso I - Método

It hath been long since well observed, that every art and science hath some certain principles upon which the whole frame and body of it must depend; and he that will fully acquaint himself with the mysteries thereof, must come furnished with some Praecognita, or prolepsis that I may speak in the language of the Stoics.

More x Descartes: conclusão do debate

Henry More, é desnecessário dizer, não ficou convencido — um filósofo raramente convence outro. Persistiu, assim, em acreditar "com todos os platonistas da Antiguidade", que todas as substâncias, os anjos, as almas e Deus têm extensão, e que o mundo, no sentido mais literal da palavra, está em Deus, tanto quanto Deus está no mundo. Consequentemente, More enviou a Descartes uma terceira carta, que foi respondida, e uma quarta, que ficou sem resposta.

More x Descartes: Deus e Tempo-Extensão

Se o mundo não existisse, tampouco existiria o tempo. À afirmativa de More de que o intermundium duraria algum tempo, Descartes responde:

Creio que implica contradição conceber uma duração entre a destruição do primeiro mundo e a criação do segundo; pois se referirmos essa duração, ou qualquer coisa de semelhante; à sucessão das ideias de Deus, isso será um erro de nosso intelecto e não uma verdadeira percepção de alguma coisa.

More x Descartes: Deus

Nada disso se aplica a Deus ou a nossas almas, que não são objetos da imaginação, senão de puro entendimento, e que não possuem partes separadas, principalmente partes de tamanho e forma determinadas. A falta de extensão é precisamente a razão pela qual Deus, a alma humana e qualquer número de anjos podem estar juntos no mesmo lugar. Quanto aos átomos e ao vazio, é seguro afirmar que, sendo nossa inteligência finita e o poder de Deus infinito, não nos convém impor-lhe limites.