Notions philosophiques

Aristóteles: zoon

Entre os viventes, Aristóteles distingue uma forma de vida caracterizada pela sensação e o desejo (De An II, 2-3) que podemos denominar animalidade, como dizemos "animais" para estes seres animados. Assim a "animalidade" do homem — seu gênero — parece óbvia: ela não contradiz sua especificidade posto que ela é a base dela (natural e lógica). Mas estes termos convêm mal: o homem é um zoon (razoável, político...), quer dizer um vivente, um ser animado, como a flor, a baleia... e Deus! (Metafísica 7) [Notions philosophiques]

hyperoche

No sentido mais banal a transcendência é a situação daquilo que está acima do mundo, e mais precisamente do mundo sensível, o que que está além das fronteiras do conhecido, da experiência, em oposição de exclusão com a imanência. [Notions philosophiques]

hieros

Segundo a etimologia, sagrado (latim sacer) vem do radical sak, que se encontra em hitita e, provavelmente, em germânico assim como em latim e em grego. Sacer contém principalmente a ideia de separação. Res sacrae: os altares, a água lustral, o incenso, as vítimas, os objetos e vestimentas sagradas, o homem da oração e do culto. Da raiz sak vem também santus (santo), que se atribui às pessoas. Em Roma, são sancti os reis conforme sua designação em conformidade com a vontade dos deuses, e os magistrados no exercício de suas funções.

sophos

É tido por sophós, "hábil", quem quer que testemunhe de uma maestria excepcional, domine seu material, sua língua, seus conhecimentos, os outros e ele mesmo. O mestre artesão, o poeta, o legislador, o "sábio" são figuras sucessivas do sophós; este deslocamento, referido por Aristóteles, coincide com o desenvolvimento da civilização e se dá conta da evolução do termo sophia. Formado a partir do adjetivo, a sophiá designa a certeza, o domínio, a qualidade da execução ou do discernimento, a arte de submeter o múltiplo ao uno: a valorização é, mais que o conteúdo, essencial à noção.

ontos

O conceito de realidade adita àquele de ser uma certa determinação. Designa uma existência, mas não uma existência qualquer, uma existência qualificada de certa maneira, nem que seja porque se opõe a um desejo ou a um projeto. Diz-se da realidade que ela se impõe e resiste àqueles que tentam esquecê-la ou negá-la. Opõe-se assim à aparência que se pode fazer desaparecer e que desaparece a princípio geralmente por ela mesma. Opõe-se também ao que escapa a toda espécie de apreensão.

teleios

A perfeição é definida por Aristóteles na Metafísica: "Completo, perfeito se diz então do que fora do que não é possível apreender nenhuma parte da coisa, nem mesmo uma única (...) Perfeito se diz em seguida do que sob a relação da qualidade própria e do bem não é superado em seu gênero" (Metafísica). Nos encontramos aqui diante de uma definição genérica da perfeição e Aristóteles o considera sob o ponto de vista da quantidade e da qualidade. Assim será dita perfeita e acabada a realidade à qual quantitativamente nada falta.

poine

A pena é um suplemento da reparação segundo Platão (Leis 862b). Como vingança, a pena oferece uma satisfação à vítima, ainda segundo Platão (Leis 873a) e àqueles que se identificam a ela. Além de seus efeitos benéficos, a correção ou a pena medicinal supõe que o criminoso, cuja alma é devorada pela injustiça (Platão, Leis 862c), é também uma vítima, que a sociedade deve ajudar. O culpado, tendo dado o mau exemplo, contribui por sua pena a dissuadir eventuais imitadores (República 389d, Leis 735c).

metaphora

gr. metaphorá

A metáfora é o transporte a uma coisa de um nome que designa uma outra, transporte ou de gênero à espécie, ou da espécie ao gênero, ou segundo a relação de analogia" (Aristóteles, Poética 1457 b6-9)

autos

autós / autos: si mesmo, em si, próprio. Reflexivo: hautós / hautos.

Gramaticalmente, autos significa ao mesmo tempo eu mesmo, si mesmo, a própria coisa, próprio (latim: ipse); o mesmo, a mesma coisa: tò autó / to auto (neutro) (latim: idem). Platão o emprega em sentido de substância: o em-si; Aristóteles, no sentido de idêntico: o mesmo que si.

Dos pontos de vista lógico e metafísico, autos tem parentesco com hómoios / homoios: semelhante.

Opõe-se a:

- o outro: héteros / heteros

- um outro: állos / allos

- diferente: diáphoros / diaphoros