Mênon

Sobre se a virtude pode ser ensinada. Conclusão negativa, contrária à tese de Sócrates. Insuficiência da razão discursiva, que deve apoiar-se na experiência e completar-se com a intuição. Aparecem os primeiros elementos pitagóricos, a preexistência das almas e a reminiscência. Mas isto talvez atrase um pouco a redação deste diálogo., como com o do Górgias. Segundo alguns autores, marca a crise, o momento que Platão se dá conta que seus problemas transcendem os limites em que pensou e viveu Sócrates.

Platão: Mito da Reminiscência

d) O «Mênon» e a reminiscência: É neste texto (e no Fedro, 249 c) que surge mais nitidamente o ponto para o qual convergem os diferentes mitos de Platão. A teoria da reminiscência que nele se desenvolve implica efetivamente, ao mesmo tempo, uma metempsicose que coroa uma escatologia ético-religiosa e uma teoria do saber que põe por fim o acento no poderio do logos capaz de provocar em nós a reminiscencia de um conhecimento anterior.

eidos

gr. eídos: aparência, natureza constitutiva, forma, tipo, espécie, ideia. (gr. eidos, idea) Apesar da frequência e sobretudo da importância da noção em sua obra, Platão não define jamais explicitamente a "forma inteligível". Os termos gregos de eidos ou de idea não podem jamais serem traduzidas pelo termo "ideia", que designa inelutavelmente, desde Descartes pelo menos, uma representação, quer dizer um objeto mental. Ao contrário, as formas inteligíveis são realidades imutáveis e universais, independentes dos intelectos que os percebem.

arete

arete: excelência, virtude

A virtude é a excelência na função própria. Cada coisa, quer dizer cada objeto assim como cada ser vivente, tendo uma ou várias funções, a virtude consiste no fato de exercer perfeitamente esta função. Assim a virtude de uma tesoura será de cortar, aquela do olho de ver e aquelas do homem de saber, de ser corajoso, e de poder dominar seus desejos. E a definição da virtude, como sua posse, resultará do conhecimento da natureza do objeto ou do vivente, quer se trate do homem ou da cidade, do conhecimento de si ou de suas funções. (Luc Brisson)


1. O conceito de virtude teve uma longa história evolutiva na cultura grega antes de ser incorporado na problemática da filosofia. Os pré-socráticos, cuja principal preocupação era uma physis corpórea, não estavam muito interessados em especulações sobre a arete; há alguns pensamentos ocasionais sobre o assunto, como em Heráclito designação de prudência como a mais alta virtude (Diels, frg. 12) e em Demócrito a insistência sobre o caráter interior da arete (Diels, frgs. 62, 96, 244, 264), mas não é prestada verdadeira atenção filosófica à arete antes da geração de Sócrates.

Mênon

Sobre se a virtude pode ser ensinada. Conclusão negativa, contrária à tese de Sócrates. Insuficiência da razão discursiva, que deve apoiar-se na experiência e completar-se com a intuição. Aparecem os primeiros elementos pitagóricos, a preexistência das almas e a reminiscência. Mas isto talvez atrase um pouco a redação deste diálogo, como com o do Górgias. Segundo alguns autores, marca a crise, o momento que Platão se dá conta que seus problemas transcendem os limites em que pensou e viveu Sócrates.

Jowett: MEN 99b-100c — Epílogo

Soc. Then of two good and useful things, one, which is knowledge, has been set aside, and cannot be supposed to be our guide in political life.

Men. I think not.

Soc. And therefore not by any wisdom, and not because they were wise, did Themistocles and those others of whom Anytus spoke govern states. This was the reason why they were unable to make others like themselves — because their virtue was not grounded on knowledge.

Men. That is probably true, Socrates.

Jowett: MEN 98b-99a — Recapitulação levando a um impasse

Soc. I too speak rather in ignorance ; I only conjecture. And yet that knowledge differs from true opinion is no matter of conjecture with me. There are not many things which I profess to know, but this is most certainly one of them.

Men. Yes, Socrates ; and you are quite right in saying so.

Soc. And am I not also right in saying that true opinion leading the way perfects action quite as well as knowledge ?

Men. There again, Socrates, I think you are right.

Jowett: MEN 96d-98a — Comparação do saber com a opinião verdadeira

Soc. I am afraid, Meno, that you and I are not good for much, and that Gorgias has been as poor an educator of you as Prodicus has been of me. Certainly we shall have to look to ourselves, and try to find some one who will help in some way or other to improve us. This I say, because I observe that in the previous discussion none of us remarked that right and good action is possible to man under other guidance than that of knowledge (episteme) ; — and indeed if this be denied, there is no seeing how there can be any good men at all.

Men. How do you mean, Socrates ?

Jowett: MEN 95a-99a — A opinião verdadeira

Soc. O Meno, think that Anytus is in a rage. And he may well be in a rage, for he thinks, in the first place, that I am defaming these gentlemen ; and in the second place, he is of opinion that he is one of them himself. But some day he will know what is the meaning of defamation, and if he ever does, he will forgive me. Meanwhile I will return to you, Meno ; for I suppose that there are gentlemen in your region too ?

Men. Certainly there are.

Soc. And are they willing to teach the young ? and do they profess to be teachers ? and do they agree that virtue is taught ?