Henry More

Henry More (1614 – 1687) é um filósofo inglês da escola dos Platonistas de Cambridge.

Platonistas de Cambridge

No século XVII um grupo pensadores de Cambridge foram atraídos em conjunto em direção a Platão, e, desde então, ficaram conhecidos pelo nome de Platonistas de Cambridge. Mas eles de fato não retornaram inteiramente até Platão, pararam em Alexandria, encontrando aí uma rica veia de pensamento que os satisfez. Eram vistos como eclesiásticos de "mente aberta" em seu tempo, e sua influência percorreu vários pequenos canais além daquele de sua corrente principal, embora de novo se atenuasse no século XVIII, até que fosse revivida por Coleridge.

More x Descartes: Infinito e Deus

Vimos More defender contra Descartes a infinitude do mundo e até dizer-lhe que sua própria física necessariamente implica essa infinitude. No entanto, é como se, por vezes, ele se sentisse tomado pela dúvida. Ele está perfeitamente seguro de que o espaço, isto é, a extensão de Deus, é infinito. Por outro lado, o mundo material talvez seja finito. Afinal, quase não há quem não acredite nisso. A infinitude espacial e a eternidade temporal são conceitos rigorosamente paralelos, e ambos parecem absurdos. Além disso, a cosmologia cartesiana pode ser conciliada com um mundo finito.

More x Descartes: Extensão Material e Espiritual

À perplexidade e às objeções de seu admirador inglês Descartes responde — e sua resposta é surpreendentemente moderada e cortês — que é um erro definir a matéria por sua relação com os sentidos, porquanto ao assim procedermos corremos o risco de deixar escapar sua verdadeira essência, que não depende da existência dos homens, e que continuaria a ser a mesma se não houvesse homens no mundo; que, ademais, se dividida em partes suficientemente pequenas, toda matéria torna-se completamente imperceptível aos sentidos; que sua prova da identidade entre extensão e matéria não é de modo algum um so

Natureza e Ontologia do Espaço

Tendo assim demonstrado, à sua própria satisfação, a legitimidade e validade perfeitas do conceito de espaço, enquanto distinto da matéria, e refutado sua fusão no conceito cartesiano de "extensão", Henry More passa para a determinação da natureza e do estatuto ontológico da entidade correspondente.

Movimento

Como sabemos, Henry More era mau físico, e nem sempre compreendia o significado preciso dos conceitos usados por Descartes, como, por exemplo, o da relatividade do movimento. No entanto, sua análise é extremamente interessante e, em última instância, justa."

A primeira maneira de escapar à força de nossas Demonstrações deriva-se da definição cartesiana do movimento, que é a seguinte: [o movimento é] em todos os casos a translação de um corpo da vizinhança dos corpos que o tocam imediatamente, e que são considerados como em repouso, para a vizinhança de outros?

Matéria e Espaço

Tanto basta para o espírito da natureza que penetra todo o universo e que se estende em seu espaço infinito. Mas o que dizer desse próprio espaço? Desse espaço que não podemos conceber senão como infinito — isto é, necessário — e que não podemos não imaginar ou, como diz More, "que não podemos desimaginar, o que é uma confirmação de sua necessidade"? Sendo imaterial, ele deve certamente ser considerado um espírito.

Espírito e Extensão

Contudo, voltemos a More. A maior precisão por ele obtida na determinação do conceito de espírito levou necessariamente a uma discriminação mais rigorosa entre sua extensão e o espaço em que, como todas as outras coisas, ele se acha. Ora, na extensão divina e material que More contrapunha à extensão material de Descartes, esses conceitos se achavam mais ou menos fundidos.

A pneumatologia de Henry More

A pneumatologia de Henry More não nos interessa aqui. Entretanto, como a noção de espírito desempenha papel importante em sua interpretação da natureza (e não somente na dele) e é usada por ele (e não somente por ele) para explicar processos naturais que não podem ser explicados ou "demonstrados" através de leis puramente mecânicas (como o magnetismo, a gravidade etc), temos de nos deter alguns instantes em examinar como ele concebe o espírito.