Fedro

Para Brisson, o Fedro é um diálogo platônico tão diversificado em seu fundo (temas do amor, da alma, da retórica, da escritura) como na sua forma (diá , discursos, descrições, mitos, orações) e tão trabalhado, que um dos problemas maiores que levanta é precisamente àquele da sua unidade. Problema insolúvel se não nos damos conta ao mesmo tempo do aspecto dramático e do aspecto doutrinal que, no Fedro, mais que em qualquer outro diálogo, são indissociáveis.

Platão: Mito da Reminiscência

d) O «Mênon» e a reminiscência: É neste texto (e no Fedro, 249 c) que surge mais nitidamente o ponto para o qual convergem os diferentes mitos de Platão. A teoria da reminiscência que nele se desenvolve implica efetivamente, ao mesmo tempo, uma metempsicose que coroa uma escatologia ético-religiosa e uma teoria do saber que põe por fim o acento no poderio do logos capaz de provocar em nós a reminiscencia de um conhecimento anterior.

Platão: Mito da Queda da Alma

2. A queda. — É muito difícil saber qual é a natureza da alma, mas podemos, diz Platão (Fedro, 246 a), dar dela uma imagem. As almas são um carro celeste em que um cocheiro comanda os cavalos. Os cavalos das almas divinas são cavalos robustos e obedientes; o carro alado das almas humanas é feito de dois cavalos, um que é bom e obediente, o outro rebelde; por isso, conduzir um tal carro é uma coisa difícil.

Fedro 277a-279b — Resumo e epílogo

SÓCRATES: - Já que nós concordamos nisto, caro Fedro, podemos agora decidir sobre o nosso assunto.

FEDRO: - Sobre o quê?

SÓCRATES: - Sobre o assunto que nos levou até a censura dirigida a Lísias em virtude de seus discursos escritos, o que por sua vez nos conduziu a classificar os discursos, distinguindo o que é artístico do que não o é. Pelo menos, parece, evidenciou-se suficientemente o que é artístico e o que não é.

FEDRO: - Com efeito. Mas não queres repetir tudo isso, em resumo?

Fedro 274b-277a — A invenção da escrita. O mito de Tot

SÓCRATES: - Só resta, então, falar sobre o que convém e o que não convém escrever, e examinar quando essa arte é bem ou mal empregada. Está certo?

FEDRO: - Sim.

SÓCRATES: - Sabes tu como se pode ser mais agradável aos deuses [theo], em ações [prattein] ou em discursos [legein]?

FEDRO: - Não; e tu sabes?

SÓCRATES: - Tenho vontade de contar-te uma história transmitida pelos antigos; se ela é verdadeira ou não, só deus o sabe. Afinal, se nós pudéssemos conhecer a verdade [aletheia], haveríamos de nos preocupar com o que dizem os homens?

Fedro 269c-274b — A verdadeira retórica

SÓCRATES: - A possibilidade, Fedro, de se tornar um bom atleta, apresenta-se provável e necessariamente, da mesma maneira. Se a eloquência for da tua natureza, serás um orador apreciado, com a condição de juntares a isso saber e exercício. Mas se uma dessas condições te faltar, hás de ser um orador imperfeito. E para a arte que corresponde a essa possibilidade, não creio que será no caminho de Lísias e de Trasímaco que o seu método há de aparecer.

FEDRO: - Mas então em que caminho?

Fedro 266c-269c — A retórica

Dize-me, porém, como chamaremos os que aprendem contigo e com Lísias. Talvez seja essa a arte retórica graças à qual Trasímaco e os seus pares se tornaram hábeis oradores, instruindo também a outros que, em troca, lhes ofereceram presentes como se eles fossem reis.

FEDRO: - Esses homens têm com efeito fama de reis, mas sem dúvida alguma ignoram a arte de que falas. Acho que tens razão em chamar ao gênero por ti discutido de "dialético". Entretanto, sobre a arte retórica pareces ter fugido à nossa conversa.

Fedro 265c-266c — O método dialético

SÓCRATES: - Queres que examinemos, a esse respeito, a questão de como um discurso pode passar da condenação ao elogio?

FEDRO: - Que queres dizer?

SÓCRATES: - Parece-me que tudo o que dissemos até aqui foi mero passatempo. Mas o acaso nos serviu e nos levou a perceber que há duas maneiras de proceder, que não são sem interesse, desde que se possa compreender a passagem da condenação ao elogio.

FEDRO: - E quais são tais procedimentos?