Brun

Jean Brun é um notável filósofo francês com reflexões sobre a história, a técnica e outros temas. Obras citadas: Platão. Lisboa: Dom Quixote, 1985

Platão: Mito da Reminiscência

d) O «Mênon» e a reminiscência: É neste texto (e no Fedro, 249 c) que surge mais nitidamente o ponto para o qual convergem os diferentes mitos de Platão. A teoria da reminiscência que nele se desenvolve implica efetivamente, ao mesmo tempo, uma metempsicose que coroa uma escatologia ético-religiosa e uma teoria do saber que põe por fim o acento no poderio do logos capaz de provocar em nós a reminiscencia de um conhecimento anterior.

Platão: Mito da Metempsicose

c) O «Fédon» e a metempsicose (80 e): Uma tradição órfico-pitagórica inspirou provavelmente este mito. As almas puras vão, depois da sua morte, passar o resto do tempo na companhia dos deuses; mas as almas impuras, pesarosas pelo corpo com o qual partilharam a sua existência ao serem escravas das exigências deste, vagueiam até ao momento em que encontram um corpo no qual se vão encarnar conforme os desejos que as animam.

Platão: Mito de Er

b) O mito de Er, o Panfílio: no livro X da República (614 a), Platão expõe um mito acerca da escolha dos gêneros de vida, mito que retoma o tema da metempsicose assim como os do Fedro (248 c) e do Fédon (80 e); mas aqui é o problema da liberdade que é discutido e nele poderíamos encontrar tema para uma reflexão sobre a questão das relações entre a essência e a existência tão frequentemente falada hoje em dia.

Platão: Mito do Inferno

a) O mito do inferno no «Górgias» (523 a e seg.): Na época de Crono e no início do reino de Zeus eram os próprios vivos que julgavam os vivos antes da sua morte e davam a sua sentença no dia em que estes morressem. Mas os juízos eram mal dados e as ilhas Afortunadas estavam cheias de homens que não deveriam lá estar.

Platão: Mito da Escatologia

4. A escatologia. — Já encontramos um mito escatológico no Fédon, associamo-lo aos mitos do cosmo porque estava junto com uma descrição das três terras, acabando numa topologia das moradas subterrâneas onde são julgadas as almas. Encontram-se outros mitos escatológicos na obra de Platão; todos os temas da metempsicose, tão apreciados pelos mistérios e pelos pitagóricos

Platão: Mito da Queda da Alma

2. A queda. — É muito difícil saber qual é a natureza da alma, mas podemos, diz Platão (Fedro, 246 a), dar dela uma imagem. As almas são um carro celeste em que um cocheiro comanda os cavalos. Os cavalos das almas divinas são cavalos robustos e obedientes; o carro alado das almas humanas é feito de dois cavalos, um que é bom e obediente, o outro rebelde; por isso, conduzir um tal carro é uma coisa difícil.

Anaxágoras: sentido e alcance de sua filosofia

O problema essencial que se coloca ao comentador consiste em saber o que deve entender-se por este Espírito, que Anaxágoras põe no centro de todas as suas explicações.

A dar crédito a Platão, este Espírito não passaria de uma espécie de Deus ex machina sem muita consistência, e Sócrates diz-nos quanto a leitura de Anaxágoras, em que tinha depositado muitas esperanças, o tinha profundamente decepcionado (cf. Fédon, 97 c). Aristóteles vê igualmente no Espírito de Anaxágoras o que ele invoca quando está embaraçado para explicar a produção de um fenômeno (Metaf., I 3, 985 a 17).

Anaxágoras: Homem

No livro Das Partes dos Animais (IV, 10, 687 a 7) Aristóteles permitiu-nos conhecer uma ideia de Anaxágoras, a que aliás se opõe:

«Anaxágoras pretende que é porque tem mãos que o homem é o mais inteligente dos animais.» Aristóteles acrescenta: «É mais racional dizer que tem mãos porque é o mais inteligente. Porque a mão é um utensílio: ora, a natureza atribui sempre, como faria um homem avisado, cada órgão ao que é capaz de se servir dele.»