Empédocles de Agrigento

Empédocles de Acragas (Agrigento, 495/490 - 435/430 aC) foi um pré-socrático, do qual se sabe — por notas esparsas em Plutarco, Aristóteles e seus comentadores, especialmente Simplício — que apresentou uma interpretação do mundo com o auxílio dos quatro elementos fogo, água, ar e terra e dos dois princípios abstratos amor e ódio. [SCHÄFER]

Bouillet: Traité 12 (II, 4) - DE LA MATIÈRE

(§ I) Les philosophes s’accordent à définir la matière la substance, le sujet, le réceptacle des formes. Mais les uns [les Stoïciens] regardent la matière comme un corps sans qualité ; les autres [les Pythagoriciens, les Platoniciens, les Péripatéticiens] la croient incorporelle ; quelques-uns de ces derniers en distinguent deux espèces, la substance des corps ou matière sensible, et la substance des formes incorporelles ou matière intelligible.

O destino de Empédocles

Submitted by mccastro on Mon, 18/06/2012 - 10:57

Este personagem fabuloso impressionou a imaginação de Hölderlin e de Nietzsche, que quiseram fazer dele o tema de tragédias que nunca terminaram. Para Hölderlin, Empédocles é o herói romântico, devorado pelo desejo do infinito; para Nietzsche, é «o homem agonal» no qual se afrontam o século do mito e do orgiasmo e o do racionalismo1. Schopenhauer confessou-nos igualmente a sua dívida para com Empédocles.

Empédocles: Separação

63. Grave injúria cometeríamos contra o leitor supondo que nesta altura, ainda não lhe tenha ocorrido que Platão, em termos de uma lógica imediadora entre aspectos que se nos oferecem na ambiguidade de um mito, muito bem se entende, post factum, como o término de um desenvolvimento de ideias germinalmente esparsas pelos escritos de seus antecessores. O khorismós («separação») do mundo sensível e do mundo inteligível, já em ténues traços se desenha em Anaximandro pela distinção da perceptibilidade das diferenças num mundo de coisas limitadas, e a imperceptibilidade do Indiferenciado.

Empédocles: Amor

62. Uma hipótese recentemente ensaiada (Kahn, 1958, 1971) constitui o Amor no único traço de união entre o poema «físico» e o poema «catártico», com sentido intencionalmente posto em resolver a contradição entre a alma que, no primeiro, perece com o corpo, e a alma que, no segundo, e em conformidade com as doutrinas orfeo-pitagóricas, ou do chamado círculo xamanístico (cf. § 47), não depende das vicissitudes de que falam, por exemplo, o frgs.

Eudoro de Sousa: Empédocles

60. Parmênides teria sido o primeiro pluralista, se o seu dualismo fosse o da realidade, e não o da aparência — da aparência, pura e simples, ou da aparência da realidade: o dualismo da Luz e da Noite é questão de nomos («convenção»), e não de physis («natureza»), Empédocles institui o pluralismo na realidade, na medida em que cada um dos seus quatro elementos se determina como idêntico a si mesmo e não idêntico a qualquer dos outros: é a definição parmenídea dos contrários, cada um deles, com uma determinação do Ser — a identidade (frg. 3, 54-59).

Empédocles — Teologia

A filosofia de Empédocles, não nos surpreenderemos de tal depois do que ficou dito, atribuía uma importância muito grande à metempsicose. Esta visão escatológica tinha antecedentes na tradição órfico-pitagórica, mas podia igualmente encontrar nas teorias empedocleanas da associação e do ciclo dos seres um apoio para as suas posições.

Empédocles — Fisiologia

Constitui uma parte muito importante da doutrina, porque não encontramos apenas uma tentativa de descrever a fisiologia dos organismos, e em particular a dos órgãos dos sentidos, mas descobrimos, sobretudo, as primeiras expressões de uma teoria do conhecimento e o remate da visão dramática do mundo, a que preside a luta do Amor e do Ódio.