hypostasis

hypóstasis: que está sob, daí, substância; ser real, frequentemente em oposição a aparências. No sistema platônico todos os eide são hypostasis na medida em que são realmente reais (ontos on), mas a noção de hypostasis não aparece formalmente antes do platonismo posterior começar a organizar os eide mais importantes numa hierarquia ontologicamente descendente, talvez baseado na analogia do número (ver monas), visto que aparece primitivamente numa interpretação numérica neopitagórica de Platão (Moderato em Simplício, Physica 230-231). É nitidamente produto do sincretismo, duma mistura do Uno de Parmênides (ver hen), da Inteligência (ver nous) de Aristóteles combinada com o Demiourgos e a Alma do Mundo de Platão (ver psyche tou pantos). Estas três archai supremas do ser estão já em evidência em Albino (Epit. X) e Numênio (in Eusébio, Praep. Evang. XI, 17), mas a sua integração numa complexa visão do mundo, metafísica e ética, é obra de Plotino: Uno, Noûs, Psyche (esta subdividida, ver physis), ver os passos sumários nas Enéadas II, 9, 1; V, 2, 1; VI, 7, 42 e a derivação dialética de Proclo in Elem. theol. prop. 20.

Para as hypostasis individuais, ver hen, nous, psyche tou pantos; para a sua progressão, proodos, trias. [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters]


Foram os estoicos, e certamente Posidonius e não Crisipo, que tornaram o termo popular ou melhor o verbo correspondente, Hephistanai. O termo serve para designar algo ao qual se reconhece bem da realidade, mas uma realidade dependente de alguma outra coisa a qual se reconhece dela ainda mais. É então e principalmente o caso dos incorporais, aos quais reconhece-se bem uma existência, mas na medida em que ela está associada a uma realidade corporal (ação ou evento) graças a qual ela pode entrar na esfera do efetivo. [Notions Philosophiques]