Poema de Parmênides - Fragmentos 9-19

[DE SOUSA, Eudoro.  Horizonte e Complementaridade. Sempre o mesmo acerca do mesmo. Lisboa, INCM, 2002, p. 93-94]

9. Porém, como todas as coisas de Luz e de Noite denominadas foram, e conforme suas virtudes os nomes receberam, repleto ficou o Todo de Luz e Noite sem Luz, das duas igualmente, pois nenhuma das duas participa de Nada.

10. «Conhecerás a natureza do Éter e os signos (que estão) no Éter, e do claro facho do Sol o efeito ardente, e de onde provém, a circunvaga ação da redonda Lua e sua natureza; e conhecerás também o Céu que tudo cinge, donde nasceu e como a reinante Ananké dos astros o sujeitou a manter os limites.»

11. (E agora vou dizer-te) como a Terra e o Sol e a Lua, o Éter a todos comum, a celeste Galáxia e o Olimpo extremo, e a ardente força das estrelas entraram de existir.

12. «Foram as mais angustas (coroas) preenchidas de fogo puro, e as seguintes de Noite; por entre elas se precipitou a ígnea parte. No meio reside a Deusa que tudo governa. Pois a Divindade à nascida e ao parto doloroso chama, impelindo para o macho a fêmea, e para a fêmea o macho...»

13. «Antes de todos os deuses, ela (a Deusa da geração e do amor) meditou o Eros.»

14. «(A Lua é) alheia luz que ilumina a noite, circunvagando a Terra.»

16. «Qual a mistura dos membros errantes (Luz e Noite) tal se apresenta a mente (nóos) dos homens. Pois a mesma natureza é o que pensa em todos e em cada um: o pleno (ou 'o que prevalece'?) é pensamento (noéma).»

19. «Assim — opinam — as coisas surgiram, assim elas são agora, assim hão-de ser depois, e assim hão-de acabar. E cada uma os homens designaram por certo nome.»