Pensamento de Platão

Muito se tem escrito sobre o pensamento de Platão, as referências são inúmeras; algumas destas obras se consagraram como verdadeiros clássicos da própria tradição platônica.

Um apanhado de escritos disponíveis em forma digital encontra-se em nossos sites:

Um excelente site para se ter uma compreensão abrangente e profunda sobre seu pensamento foi organizado por Bernard Suzanne


Montet, Danielle (1990), Les traits de l'être. Essai sur l'ontologie platonicienne. Jérôme Millon, Paris (pg 5)

A tradição filosófica assimila Platão, na leitura, no comentário e no uso que faz de sua obra, ao instituidor de termos cuja evidência marcou toda a história da filosofia. Seria possível escrever filosoficamente fora dos termos platônicos, que a tradição filosófica retoma ou critica? Para sempre a ousia vem confundir a distinção serena da essência e da existência, o eidos assombrar a eidética, a idea legitimar todos os idealismos; tantos termos que se formaram em conceitos que incontestavelmente testificam por sua fortuna a vã nomotética de Platão. Todavia, a disponibilidade dos termos platônicos, a familiaridade que toleram, ocultam a segunda figura em operação no Crátilo, aquela do dialético, sem o qual a produção nomotética perde toda significação. Herdeira do léxico, dos instrumentos, a tradição o foi. Mas que fez ela do dialético? Este, reconhecido como o praticante da “ciência mais elevada”, viveu dias gloriosos e pôs a pedra angular do edifício do platonismo. Mas secundarizando seu papel, esquece-se a lição do Crátilo, segundo a qual só aquele que sabe usar a palavra-instrumento na arte da dialética pode dar conta da palavra ela mesma, arrancá-la da erosão da usura. O texto platônico, tecido, tramado segundo uma nomotética e uma dialética, não sai indemne de uma leitura que pretenda desjuntá-las e se esquiva a toda apreensão que tente fazer qualquer economia desta articulação.

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