Neoplatonismo

Excerto de MERLAN, Ph., From Platonism to Neoplatonism. The Hague: Nijhoff, p. 1, n. 1

As seguintes assunções parecem estar entre as características do que é chamado Neoplatonismo.

1. Uma pluralidade de esferas de ser estritamente subordinadas umas às outras, de modo que temos uma série cujos termos únicos representam graus superiores e inferiores de ser - com a última e mais irreal esfera de ser compreendendo o que normalmente é chamado de ser perceptível, i.é., ser no tempo e no espaço.

2. A derivação de cada esfera inferior do ser de sua superior, esta derivação não sendo um processo no tempo ou espaço e, portanto, comparável a uma implicação mental (lógica) ao invés de uma relação causal (espaço-temporal), portanto, a "causalidade" de todas as esferas em relação umas às outras não sendo do tipo de causalidade eficiente.

3. A derivação da esfera suprema do ser de um princípio que, como fonte de todo o ser, não pode ser descrito como sendo - está acima do ser e, portanto, totalmente indeterminado, sendo esta indeterminação não a indeterminação de um conceito mais universal, mas uma indeterminação ôntica, isto é, o "ser" mais completo precisamente porque não se limita a ser isto ou aquilo.

4. A descrição dessa indeterminação ôntica também dizendo que o princípio supremo é Uno, esta unidade expressando não apenas sua singularidade, mas também sua simplicidade completa, i.é., a falta de qualquer determinação, "Uno" designando não algum tipo de descrição adjetiva, mas sendo antes a expressão comparativamente positiva do princípio supremo, sendo nem isso nem aquilo.

5. A multiplicidade crescente em cada esfera do ser subsequente, a multiplicidade maior designando não só o maior número de entidades em cada esfera subsequente, mas também a determinação (limitação) crescente de cada entidade, até chegarmos à determinação espaço-temporal e, portanto, ao mínimo de unidade.

6. O conhecimento apropriado ao princípio supremo como sendo radicalmente diferente do conhecimento de qualquer outro objeto, em que o primeiro, em vista do caráter estritamente indeterminado do princípio supremo, não pode ser conhecimento predicativo, cujo conhecimento é apropriado apenas para seres que exibem alguma determinação.

E a dificuldade mais fundamental característica do que se denomina neoplatonismo é a explicação e justificação do porquê e do como da passagem do Uno à multiplicidade, com o princípio da matéria desempenhando um papel importante nesse processo.

Doxa-Logos

No médio-platonismo, doxa foi requerida como suplementar à percepção dos sentidos, mas Proclo vai além e faz doxa e logos penetra a percepção. Em seu comentário ao Timeu (1 251, 16-17) doxa é percepção racionalizada (logike).

Filopono concede que um cão reconheça seu mestre sem percebê-lo como uma substância, que iriam requerer doxa, de acordo com Proclo. Ao contrário, o cão requer somente impressões em sua imaginação, e Filopono reconhece a importância de um apego emocional em reconhecimento.

Opinião (doxa)

Segundo Sorabji (2005, p;34), Alcino, o médio-platonista autor do Didaskalikos entre o primeiro e o segundo século dC, assume que Platão sustentava que mesmo a percepção de cor ou do colorido não é sem o tipo de razão que envolve opinião (doxastikos logos), enquanto a discriminação do mel é por este tipo de razão. A opinião em Alcino, seguindo o Teeteto ([[Teet:190e|190e-196c]]) é um poder de reconhecimento. Foi subsequentemente acordado que corpos são reconhecidos pela opinião (Proclo) ou pela razão opinativa (Prisciano).

Conceitos (ennoiai, prolepsis, logoi)

Em Plotino o apelo a conceitos é ainda limitado. Ele fala da necessidade de empregar conceitos já disponíveis no intelecto para reconhecer instâncias de beleza (Eneada-I, 6, 3) ou bondade (Eneada-V, 3, 3) ou fogo (Eneada-VI, 7, 6). Ele também diz que a razão discursiva usa formas (eide) que tem em si mesmo, para passar julgamento (epikrisis) em imagens providas pela percepção dos sentidos (Eneada-I, 1, 9).

Faculdades da Alma em Plotino

Segundo Brisson & Pradeau, Plotino nem sempre adota a distinção platônica dos três poderes da alma, mas segue Aristóteles distinguindo quatro funções psíquicas (De Anima II,2): nutritiva, sensitiva, apetitiva (ou motriz) e intelectiva.

A faculdade sensitiva (aisthetikon, de aisthesis) se manifesta em todo o corpo e não se encontra ligada a nenhuma parte do corpo em particular. Mais precisamente, ela não é exclusivamente ligada aos órgãos dos sentidos.